Aldeia de Carapicuíba

A Aldeia de Carapicuíba teve suas origens nas províncias oficiais, tomadas pelo capitão-mor Jerônimo Leitão, governador da Capitania no período de 1572 á 1592, que oficializou a 12 de Outubro de 1580, a doação de terras para a fundação de um povoado, adiante da Aldeia de Pinheiros, numa área já conhecida como Carapicuíba, de forma a atender a petição dos índios e também os interesses das autoridades administrativas locais e dos jesuítas. Afonso Sardinha, o Velho, possuía grandes lavouras na região do Butantã e sua propriedade estendia-se das margens do Rio Tietê até os limites da Aldeia Jesuítica de Carapicuíba. Sardinha, além de ocupar diversos cargos políticos, foi um grande apresador de índios, tendo dessa forma, povoado suas terras. Em 9 de julho de 1615, ele e sua esposa Maria Gonçalves doaram suas terras, com a capela de Nossa Senhora das Graças, da qual foi fundador, ao Mosteiro da Companhia de Jesus. A população da Aldeia vivia modestamente da exploração agrícola, do plantio e fiação do algodão, da caça e da pesca dos arredores. Em meados do século XVIII, inicia-se a criação de gado. Os índios eram administrados pelos jesuítas e trabalhavam em troca de uma muda de roupas ao ano, instrumentos de trabalho, remédios e orientação religiosa, fazendo para os padres, transportes de Santos à São Paulo das mercadorias necessárias à Companhia, além de trabalho agrícola e artesanato. Carapicuíba funcionava nessa época como ponto de passagem para os Sertões do Sul. Por volta de 1698, os jesuítas do Colégio São Paulo, preocupados com a defesa dos índios, alegaram que as terras da Aldeia estavam esgotadas, determinando a transferência dos moradores da Aldeia de Carapicuíba para a aldeia de Itapecerica. A partir de 1770, começou a surgir lentamente, o progresso. Além dos bandeirantes, que por ali passavam, também, tropeiros e mercadores que vendiam e transportavam mercadorias. Caminhos eram abertos para as aldeias vizinhas, de Santo Amaro, Embu, Itapecerica e Cotia. Novas casas foram construídas, outras foram levantadas nas proximidades. Instalaram-se casas de comércio e escolas. Da lavoura pobre e rústica passaram à pecuária, com a criação de gado. Em consequência, desenvolveu-se a vida política e social, em que os usos e costumes se manifestavam, marcando-se vida própria, com seus acontecimentos. Aos poucos foi criando seu folclore, assentado na religião, nas crendices, nas cantigas e nas danças, sendo a de maior relevo a Dança de Santa Cruz ou Sarabaquê, dança típica local, que consistia de três partes: saudação, roda e despedida. Entre os seus habitantes, as ocupações eram diversas. Havia os lavradores, os que cuidavam do gado, os organizadores de festas, os festeiros e os que exploravam o comércio, sobretudo em datas festivas. A Aldeia de Carapicuíba, a remanescente das doze primitivas, permanece aldeia, apesar dos seus quatrocentos anos de existência. construção das casas em volta da capelaParece-nos que o vaticínio do Padre Belchior Pontes se cumpriu. A Aldeia de Carapicuíba é célebre pela tradicional “Festa de Santa Cruz” que se realiza, anualmente, no mês de maio no largo da Aldeia. A festa origina-se da época da colonização e catequese dos indígenas, onde a principal atração é a dança de Santa Cruz, Roda e Despedida da Santa Cruz. Na adoração, os tocadores, munidos de seus instrumentos, iniciam sua caminhada para frente da igreja, toda enfeitada. O povo se aglomera atrás dos músicos e então começa a adoração, com o violeiro chefe iniciando o cântico. Ao término do último verso de cada estrofe, toda ela acompanhada ao ritmo em palmas, os cantadores gritam um prolongado “oooiii” que os acompanhantes repetem, parecendo estabelecer um desafio entre os presentes e os cantadores. Na Roda, as cantigas perdem o tom religioso e uma grande roda é formada, com os homens por fora e as mulheres por dentro, girando todos no sentido contrário aos ponteiros do relógio. A dança da roda consiste em dar passos para a frente e um para trás, da esquerda para a direita. A cada lance os pares se cumprimentam. Na despedida, há a zagaia, que é uma roda mais movimentada, cheia de zigue-zague, como uma dança indígena e que termina com rezas pelos antepassados e votos de novo encontro no próximo ano. A cada ano é escolhido um festeiro, que oferece, ao final da festa, uma caja ou gemada aos participantes.

Na atual administração foi criado o Parque da Aldeia para resgatar a história da cidade. O Parque ficará com uma área total de cerca de 500 mil metros quadrados. Como fez em sua primeira administração, quando construiu o Parque dos Paturis no Km 21, deu-se início a construção do “Parque Cultural da Aldeia”, que tem como objetivo resgatar toda a história da cidade. O local abrigará toda a infra-estrutura de parque, com lagos, bosques, playground, trilhas, quadras, churrasqueiras, campos, banheiros, vestiários, segurança e muito verde. Além de toda esta estrutura, a principal atração do parque, além da Aldeia, que já é preservada pelo poder municipal, é a implantação da universidade nas antigas instalações do sanatório Anhembi, área de aproximadamente 300 mil metros quadrados com muito verde. Durante a construção e constante vistoria às obras, o Prefeito era sempre acompanhado do Secretário de Obras,

O Prefeito tem afirmado que a vida de Carapicuíba mudará depois da implantação total do Parque da Aldeia: “É uma obra que entrará definitivamente para a história do Estado de São Paulo”, afirma.

Em 1º de setembro de 2001 alguns índios da tribo Xavantes, do Mato Grosso, chegaram em Carapicuíba com o objetivo de expor produtos que fabricam onde moram e também para construir uma das grandes atrações do Parque Cultural da aldeia, que é uma Oca , conforme é construída onde moram. Durante alguns dias o local se tornou atração nacional. Os índios construíram a moradia diante de olhares curiosos de moradores e estudiosos.. Os índios participaram ainda de palestras e ensinaram um pouco de sua cultura para alunos e moradores da própria Aldeia.

O Parque Cultural da Aldeira sofrerá, com seus mais de 400 anos de história, uma reforma total, obedecendo a critérios. Casas serão reformadas, o trânsito modificado e o córrego canalizado. Milhares de pessoas passam pela Aldeia durante as Festas de Santa Cruz e Santa Catarina. Segundo vistorias realizadas, muitas casas da Aldeia estão em péssimo estado de conservação. Os técnicos avaliaram que muitas reformas feitas no passado não obedeceram a critérios que agora terão que ser obedecidos à risca. Muitas casas estão com telhados prestes a desabar e paredes em estado de decomposição. Após o levantamento, o prefeito determinou uma série de providências para a recuperação do local, como por exemplo: proibição do trânsito de veículos pelo pátio histórico da Aldeia, colocação de placas indicativas de trânsito local, reforma do Posto Policial, entre outras. O Córrego será canalizado. Outra parte importante para a melhoria da Aldeia e conclusão do Parque Cultural, está relacionada a canalização do famoso Córrego da Aldeia. A canalização, além de evitar acidentes e proliferação de doenças, vai proporcionar um aumento considerável na área do Parque. O local, que receberá um campo de futebol, será gramado e arborizado. Com esta canalização, o Parque ficará com uma área total de cerca de 550 mil metros quadrados. Festas tradicionais dão destaque para a Aldeia. A Aldeia de Carapicuíba normalmente é procurada por estudantes e pesquisadores pelos seus mais de 400 anos de história. Mas a grande procura pelo local acontece mesmo na época de suas festas tradicionais, como a Festa da Santa Cruz e a Festa de Santa Catarina, e a comemoração da Paixão de Cristo, com teatro vivo, que mantém a tradição dos fundadores da Aldeia. Milhares de pessoas visitam a Aldeia nestas ocasiões. O local já se tornou um dos principais pontos turísticos do país.

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