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Ébola Virus PDF Imprimir E-mail

O vírus Ébola foi identificado pela primeira vez em 1976 em Nzara, na província Oeste-Equatorial do Sudão, assim como em Yambuku, na região vizinha situada no Norte do Zaire (República Democrática do Congo).

De Junho a Novembro de 1976, o vírus Ébola infectou 284 pessoas no Sudão fazendo 117 mortos. No Zaire, houve 318 casos e 280 óbitos em Setembro e Outubro de 1976.

Um caso isolado foi declarado no Zaire em 1977 e uma segunda epidemia teve lugar no Sudão  em 1979. Em 1989 e 1990, um filovírus, de nome Ebola-Reston, foi isolado nos macacos postos em quarentena nos laboratórios em Resto (Virgínia), Alice (Texas) e na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Nas Filipinas, infecções provocadas pelo Ebola-Reston foram constatadas nos macacos postos em quarentena em Manila antes de serem exportados.

Os filovírus detectados no vírus Ebola foram isolados em macacos de Buffon (Macacca fasciculares) que tinham sido importados das Filipinas para os Estados Unidos em 1989. Muitos desses macacos foram mortos e pelo menos quatro pessoas foram contaminadas, mas nenhuma delas apresentou manifestação clínica.

Uma epidemia de grande magnitude aconteceu em Kikwit, no Zaire, em 1995; houve 315 casos dos quais 244 faleceram.

Um caso isolado de febre hemorrágica no homem e em vários chimpanzés foram igualmente assinalados e confirmados na Costa do Marfim em 1994-1995. No Gabão, a febre hemorrágica provocada pelo vírus Ébola foi identificada pela primeira vez em 1994 e surtos epidémicos são produzidos em Fevereiro e Julho de 1996.

Nenhuma infecção pelo vírus Ébola foi assinalada desde a epidemia observada no norte do Ouganda, em Outono de 2000.

Sem contar a última epidemia, cerca de 1100 casos, com mais de 800 mortos, foram assinalados desde a descoberta do vírus.

O reservatório natural do vírus Ebola parece habitar nas florestas tropicais da África e Ásia, mas ainda não foi identificado.

Diferentes hipóteses foram avençadas para tentar explicar a origem dos surtos epidêmicos. Primeiramente, desconfiava-se dos roedores devido à semelhança com a febre de Lassa, de que o reservatório é um roedor selvagem (Mastomys).

Outros pensam que poderia tratar-se de um vírus das plantas que infectaria os vertebrados.

A infecção experimental de morcegos mostrou que estes sobrevivem à infecção, o que permitiu especular sobre o seu papel na manutenção da infecção na floresta tropical.

Se bem que os primatas estejam na origem da infecção no homem, eles não parecem ser o reservatório do vírus. Eles são como os seres humanos infectados diretamente pelo reservatório natural ou segundo a cadeia de transmissão partindo do reservatório natural.

Estudos ecológicos de grande amplitude estão atualmente em curso na Costa do Marfim para identificar o reservatório do vírus Ebola. Fazem-se igualmente estudos na República Democrática do Congo para descobrir o reservatório do vírus de Marburg, um filovírus estreitamente aparentado ao Ébola.

O vírus Ébola transmite-se por contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou o esperma dos indivíduos afetados. A transmissão pelo esperma pode se produzir até semana depois da melhoria clínica, como no caso da febre hemorrágica de Marburg.

Constatou-se igualmente que o vírus Ebola pode ser transmitido no momento da manipulação dos chimpanzés doentes ou mortos portadores do vírus, na confirmação dos casos de Costa do Marfim e Gabão.

Os agentes de saúde foram muito contaminados quando se ocupavam dos seus doentes. Quando da epidemia de 1976 no Zaire, a evolução foi sempre mortal desde que a febre pelo vírus Ebola tenha sido contraída por contato com seringas e agulhas contaminadas.

Periodo de Incubação:

- 2 a 21 dias

Sintomas:

A febre hemorrágica pelo vírus Ebola caracteriza-se sempre por uma súbita elevação de temperatura, fraqueza, dores musculares, cefaléias e dores de garganta. Surgem em seguida vômitos, diarréia, erupção cutânea, insuficiência renal, hepática, e hemorragias internas e externas.

Seu diagnóstico, baseia-se na análise  laboratorial especializada (não disponível no comércio) sobre amostras de sangue para a pesquisa dos antigénicos específicos e/ou dos genes do vírus ou de anticorpos IgM e IgG, ou sobre o isolamento do vírus em cultura celular.

Não existe nenhum tratamento nem vacina específica para a febre homorrágica pelo vírus Ebola.

Os casos graves devem ser colocados em unidades de cuidados intensivos, porque os doentes estão muitas vezes desidratados e devem ser submetidos a perfusão.

Os estudos experimentais realizados sobre a utilização de soros hiper-imunes realizados em animais de laboratório não puseram em evidência nenhuma proteção a longo curso contra a doença.

Todos os casos suspeitos devem ser isolados e o pessoal de saúde (que se ocupa do doente) deve trabalhar em condições de alta segurança.

Todo o pessoal hospitalar deve ser informado da natureza da doença e das vias de transmissão. Deve-se insistir muito particularmente sobre o risco muito elevado representado por certos gestos tais como a posição para uma perfusão, a manipulação do sangue e das secreções, dos catéteres e dos dispositivos de aspiração, que devem ser igualmente realizados em condições de alta segurança.

O pessoal hospitalar deve utilizar blusas, luvas e máscaras individuais. As luvas e as máscaras não devem ser reutilizadas, a não ser que tenham sido previamente desinfectadas e esterilizadas.

Os pacientes falecidos por febre hemorrágica por vírus Ebola devem ser rapidamente enterrados ou incinerados.

Tendo em conta que o modo principal de transmissão de pessoa a pessoa é o contato com o sangue, as secreções ou líquidos biológicos contaminados, toda a pessoa que tenha tido um contato fisico estreito com os doentes deve ser colocada  sob máxima vigilância, isto é: medição da temperatura duas vezes por dia e se esta ultrapassa os 38,3º deve ser imediatamente hospitalizada em isolamento total.

Aqueles que estiverem em contato com pessoas infectadas devem permanecer sob estreito controle e comunicar toda manifestação febril ao pessoal de Saúde. A vigilância dos casos suspeitos deve-se prolongar durante as três semanas seguintes a data do primeiro contato.

O pessoal de Saúde que entre em contato direto com os pacientes ou materiais contaminados sem dispositivo de proteção deve ser considerado como exposto e isolado sobre estreita vigilância médica.

Fonte:
CNES - Boletim

 
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