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Clóvis & Cláudio PDF Imprimir E-mail
Clóvis da CruzO Clóvis é irmão de sangue do Cláudio, que é meu irmão de toda a vida. O Clóvis morreu, uma perda irreparável para o Cláudio, que me pede um texto em homenagem ao irmão que se foi, prematuramente.


20 anos depois e quase dois mil quilômetros de distância, lembro-me vagamente do Clóvis. Uma pessoa batalhadora, um sedutor por excelência, desses que você vira “amigo de infância”  dez minutos depois de conhecer. E, por intermédio do Cláudio, sei de sua luta contra a morte, sua ânsia por sobreviver às complicações após uma cirurgia aparentemente simples, mas que se revelou fatal.

É para o Cláudio que eu escrevo, esse amigo-irmão, que nem o tempo e a distância separaram. Amizade construída  em tempos de dificuldades extremas, solidificada em solidariedade mútua, cultivada em situações que o momento torna-se desnecessárias e/ou inoportunas relembrar, mas ainda assim inesquecíveis.

Sei do seu amor pelos pais, pelos irmãos, a paixão imensurável pelo Cacau, primeiro e único filho.

Anjo torto, como eu, você sempre foi de uma retidão exemplar no quesito família.

Daí compreender essa dor que é dupla. Perder dois irmãos em menos de quatro anos não deve ser fácil. Ainda mais para alguém tão apegado à família como você.

Tira o chão, desnorteia, leva a nocaute.

Clóvis, então, foi seu parceiro de aventuras e desventuras, nessa sua paixão insana pela comunicação. Era, até bem pouco tempo atrás, seu  braço direito, seu braço esquerdo, o corpo todo a seu lado no Jornal Comunicação, sonhou ao seu lado o projeto do site.

Saiu para outro projeto, como quem sinaliza ainda de forma inconsciente que vai sair da sua vida. Da vida. Para não te machucar duplamente, deixou primeiro o jornal e depois, infelizmente, deixou você, sua família, seus amigos.

Talvez fosse só um sinal. Talvez não.

Vá se entender os insondáveis mistérios da vida e da morte.

Não há muito  o que dizer nesse momento em que palavras de consolo muitas vezes não servem sequer para consolar, tamanha a dor, tamanho o vazio.

Busque nas lembranças do Clóvis, nos bons exemplos do Clovis, naquilo que vocês viveram juntos esse tempo todo, a força para continuar vivendo, lutando, seguindo em frente.

Encontre no Cacau todas as razões possíveis para acreditar que a vida se renova na pureza e no sorriso de um menino, que a existência é tênue, mas que os momentos vividos são eternizados, especialmente os bons momentos.

Eternize o Clóvis em você. Mantenha o Cláudio e o Clóvis como uma dupla indissociável, embora o Clóvis fisicamente (e apenas fisicamente) não esteja mais ao seu lado.

E seja forte, como você sempre foi.

Tão forte que não tenha vergonha de chorar, sofrer, sentir saudade.

Tão forte que, cicatrizada a ferida, você continuará seguindo em frente, nessa caminhada em que, sem o irmão querido, poderá contar com o apoio dos amigos. Especialmente os que, mais do que amigo, são seus irmãos!


Divaldo Daniel Thame (Bozó)
   
 
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