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Os Efeitos do Abuso do Poder e da Corrupção
| Os Efeitos do Abuso do Poder e da Corrupção |
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| 24 de janeiro de 2009 | |||||||
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Ao ler outro dia um desabafo sobre a desigualdade social e a corrupção política em Angola, percebi que a diferença entre Brasil e Angola deve ser meramente geográfica. Os dois, cada dia mais marcados, pelas profundas desigualdades sócio econômicas. É, assim, válida, para as nossa sociedades, a dolorosa constatação do Concílio Vaticano II: “Enquanto multidões imensas carecem ainda do estritamente necessário, alguns (...) vivem na opulência e na dissipação. Coexistem o luxo e a miséria. Enquanto um pequeno número dispõe de um grande poder de decisão, muitos estão quase inteiramente privados da possibilidade de agir por própria iniciativa e responsabilidade, vivem e trabalham em condições indignas da pessoa humana”. A nossa triste sorte tem outra razão de ser. Segundo Max Weber “quem faz política aspira ao poder; ao poder como meio para a consecução de outros fins (idealistas ou egoístas) ou ao poder "pelo poder", para desfrutar o sentimento de prestígio que ele confere”. O nosso problema reside, exatamente, no fato dos nossos dirigentes não usarem o poder político para execução dos programas ou projetos, ou porem em prática determinadas idéias, fazer respeitar valores e defender os interesses da comunidade que governam, mas apenas para o deterem a título perpétuo e desfrutarem do sentimento de prestígio que ele lhe confere. Em vez de aplicarem os orçamentos em projetos sócio econômicos, que visem melhorar as condições de vida dos cidadãos "em todos os sentidos", limitam-se a usar em proveito próprio os abundantes lucros das riquezas. Por isso, tornam-se maus governantes e homens corrompidos. Como maus governantes não têm sido capazes de executar tarefas básicas de governo, nem têm sabido ser eficientes em atos mínimos de gestão. Como homens corrompidos têm posto toda a sua ambição em acumular riquezas. Por isso, os seus obscuros caminhos prosperam a toda hora, quase todos se entregam à ganância e ao lucro desonesto, e, no meio da penúria da maioria, usam da abundância para a sua orgulhosa ostentação. “São cães vorazes e insaciáveis, são pastores que nada observam. Cada qual segue o seu caminho, cada um busca o seu interesse” (Isaias 56, 11). Por esta razão, tornam-se ricos e poderosos. Apresentam-se nédios e bem nutridos. Vivem impunes e acima da lei. Agem como se fossem os únicos iluminados da Pátria, acham-se os maiores e consideram-se intangíveis por qualquer força humana. “Para eles não há sofrimento, seu corpo é saudável e robusto. Não têm contrariedades na vida, não são atormentados como os outros homens (...) Por isso, se julgam em segurança ao abrigo de todas as calamidades”(Salmo 73 “72”, 4-10). Diz o Prof. Maurice Duverger que “Em todas comunidades humanas, e mesmo nas sociedades animais, o poder proporciona aos seus detentores vantagens e privilégios: honras, prestígio, lucros [e] prazeres”. Por isso, não nos opomos a que os nossos "governantes" e as demais elites da sociedade usufruam de altas regalias e gozem das vantagens inerentes à governo ou ao privilegiado estatuto que detêm. Deploramos e abominamos, sim, a desigual divisão das benesses com perversidade que cria dois extremos com um enorme fosso a separá-los: de um lado, um pequeníssimo estrato da população que sórdida e criminosamente detém os enormes lucros das riquezas do País e do outro, uma maioria faminta e indigente que sobrevive em situações indignas da pessoa humana. Os comentários deste texto, pertencem a reflexão sobre a desigualdade em Angola, mas como observei e você leitor deve, observar, cabe tanto lá, como cá.
Por: Maurílio Candido
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