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Crônicas e Contos
Igual a Berlusconi
| Igual a Berlusconi |
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| 25 de junho de 2009 | |||||||
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*Maurílio Candido Um homem poderoso ficou um dia enamorado. Começou sem ao menos, o homem poderoso se aperceber, aos poucos. Lá na chácara, que ele inicialmente visitava uma vez por semana. Sem perceber que, cada vez que ele lá ia, demorava mais tempo e sempre a chamava. Divertia-se com ela. A atração foi cada dia ficando mais forte. Ai, o homem poderoso, usou seu poder. Poder de atração. Poder de convencimento. Poder financeiro. Poder de poder. Enfim o Poder.
Acreditava o homem poderoso que aquilo era passageiro. Ledo engano, apesar de ele ser todo poderoso, quem detinha o poder sobre ele, era ela. A pequena menina. Aos poucos foi ficando cada dia mais arriscado. Ela a menina, embriagada pela proximidade do poder, foi se expondo e ao se expor, expôs totalmente o homem poderoso. Ele a chamava, quando queria. Ela ia, mas comentava, falava, contava abertamente, as proezas que fazia com o homem poderoso. Sem se aperceber do perigo, ele a levava para a chácara e a deixava lá, sem se preocupar com os olhos que os viam. Dizia a ela que ela seria sua companheira e que deveria estar preparada para tal, até mesmo pensava em contratar cursos para que ela freqüentasse. Afinal, ele era um homem poderoso e a seu lado tinha que haver uma ‘Dama’ a sua altura. Até que chegou o ‘Dia dos Namorados’, ele sem o saber, “enamorado”, não mediu esforços e fez as suas vontades. Três foram seus pedidos. Todos satisfeitos. Um Telefone celular. Um relógio. Uma Bota. Hoje ela desfila pela chácara com todo o frescor e encanto de menina. E têm a mostra seus mimos conquistados com orgulho. E o homem poderoso, ainda sonha com ela. Como sonhou Berlusconi.
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