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Professora de Barueri Ganha Prêmio Jovem Cientista PDF Imprimir E-mail

Com um experimento que comprovou a eficácia das cascas de banana para separar os dejetos nucleares da água, que Milena Rodrigues Boniolo, 25, moradora de Barueri, ganhou o primeiro lugar na categoria graduado da 22ª edição do Prêmio Jovem Cientista, promovido pela Fundação Roberto Marinho, com a pesquisa intitulada “Uso da Casca de Banana para o Tratamento de Efluentes Radiotóxicos”.

Formada em Química, Milena leciona em uma faculdade de Barueri e afirma que sua descoberta teve início com a influência da profissão do pai, que trabalha com reciclagem de materiais. “Não teve nada de banana caindo na cabeça”, brincou referindo-se ao caso do histórico do cientista, Isaac Newton, que descobriu a lei da gravidade, quando uma maçã caiu sobre sua cabeça.

“Minha vontade era pesquisar soluções para problemas relacionados ao meio ambiente. Com muita dedicação e força de vontade, qualidades que sempre tive, consegui obter os resultados de minha pesquisa”, disse.

Ela ainda relaciona a conquista com a dedicação e ajuda de seus professores que sempre incentivaram os alunos. “Muitos jovens no Brasil têm talento e vontade. Tudo depende da educação e da aplicação dos professores também. O professor hoje parece estar mais preocupado em terminar o conteúdo de uma apostila a envolver de fato o aluno. Eu tive excelentes professores, que conquistaram os alunos, e é isso que faço com os meus alunos hoje”, explica.

Pesquisa

Em sua experiência, Milena pegou algumas amostras de casca de banana e as colocou em uma assadeira. Colocou a forma em cima do telhado, debaixo de sol forte, durante uma semana. Depois ela levou o material para o laboratório do IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), onde bateu as cascas em um liqüidificador. O pó foi colocado na água com grandes quantidades de metais pesados, como urânio.

agitando a solução por 40 minutos, aconteceu o seguinte: como a banana tem carga negativa e o metal carga positiva, os dois se combinaram e se ligaram. Daí o pó contaminado depositou-se no fundo e a água foi retirada com uma seringa para análise.

Em média, o pó (banana) consegue retirar 65% do urânio, e essa mesma operação pode ser repetida várias vezes, até que sejam atingidos índices mais altos de remoção.

Milena ainda procura patrocínio para que, em seu curso de doutorado, consiga repetir a experiência agora em larga escala. Ela vê a pesquisa como uma solução que ataca três problemas: o desperdício da banana no Brasil, maior produtor mundial da fruta; separação e tratamento adequado do rejeito nuclear resultante de fertilizantes químicos; e a separação dos rejeitos radioativos da água, no caso de contaminações provocadas ou não. “É uma realidade nossa, até mesmo em relação à produção de energia nuclear, como é o caso da usina Angra 3, no Rio. Uma solução barata e possível. Basta investimento”, conclui a cientista.

 
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