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Carapicuiba
Festa de Santa Cruz
| Festa de Santa Cruz |
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| 05 de maio de 2007 | |||||||
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Temos duas origens para o início das Festas da Santa Cruz. Uma delas é a festa de Exaltação de Santa Cruz, realizada em Roma (dia 14 de setembro) e na Gália (03 de maio – chamada Invenção de Santa Cruz), por ocasião da descoberta da Santa Cruz por Santa Helena (fato este que se deu, segundo a lenda, no dia 03 de setembro do ano de 320), mãe de Constantino. Outra interpretação seria a recuperação e reconstituição da Santa Cruz por Heráclito, que conduziu o Santo Lenho pelo Calvário, após tê-lo reconquistado das mãos dos persas, fato esse que se deu no dia 03 de maio. A Festa de Santa Cruz corresponde à que em Roma se chamava Invenção de Santa Cruz. No Brasil, a devoção e a festa de Santa Cruz foram trazidos pelos colonizadores portugueses.
"Santa Curuzu", chamada pelos guaranis e "Santa Curuçá" pelos tupis, a Santa Cruz, assim como todas as manifestações religiosas decorrentes de Sua Adoração, acabaram figurando no devocionário dos mamelucos, mestiços e caboclos. Por ocasião do IV Centenário de São Paulo, em 1954, a dança de Santa Cruz foi considerada contribuição da cultura do indio-jesuítica para a formação do Estado de São Paulo. A mais famosa destas festas é ainda realizada pelos moradores da Aldeia de Carapicuíba e compreende três partes: Saudação, Roda, Despedida. Essas partes possuem sentidos díspares: a Saudação e a Despedida são consideradas sagradas e a Roda, profana. As primeiras têm melodias que lembram a seqüência sonora dos cantos gregorianos, os versos são fixos e a temática é devocional. São realizadas em frente à cruz maior, que fica diante da igrejinha local e depois e, frente a cada cruz que se situa na dianteira de cada uma das casas da aldeia. A coreografia consta de passos para frente e para trás, batidas de palma, reverências à cruz, volteios e meia-volta, todos desenvolvidos em conjunto. Na roda, as melodias têm versos tradicionais ou circunstanciais, com texto amoroso e jocoso. Para realizá-la, os dançarinos postam-se em um semicírculo, ficando os homens na linha de fora e as mulheres na de dentro. Mestre e contramestre ficam na extremidade que levará a roda a girar no sentido anti-horário.
Finda esta parte, o grupo se dirige para a cruz vizinha, onde tudo se repete. A melodia é executada a quatro vozes: primeira, segunda, uma terça abaixo da primeira, triple, falsete, e contralto, acompanhadas por duas violas, adufos e reques, reco-reco feito de grandes porongos com uma tabuinha dentada encaixada no corpo, friccionada com vareta de madeira. A festa de Santa Cruz é encerrada com outra dança, a Zagaia. Os movimentos são de recuos, avanços e vênias, feitos em fileiras, além da roda que gira em dupla direção. Feita diante da igreja, termina com vivório à Santa Cruz. A Aldeia de Carapicuíba foi tombada pelo Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo. Ela ainda sobrevive em sua forma original e há quatro séculos a Festa da Santa Cruz se realiza anualmente, apresentando imperdíveis danças tipicamente indígenas, como o Zagaia e a Sarabaquê.
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